A comunidade PALOP

 

 

 

A COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA DOS PALOP EM BRAGA

 

Braga acolhe duas instituições universitárias: a Universidade do Minho (UM) e a Universidade Católica Portuguesa (UCP). Em ambas as instituições a presença da comunidade africana tem vindo a intensificar-se nos últimos anos, tal como se pode ver nos dados relativos ao número de alunos inscritos nestas universidades, desde o ano letivo de 2000/01 até ao de 2010/11 (cf.: Q. I).

Esta tendência resulta essencialmente do aumento progressivo do número de alunos oriundos de Cabo Verde, sendo que não se verifica uma diferença significativa entre os alunos provenientes de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e S. Tomé e Príncipe, em alguns destes casos chega mesmo a diminuir (cf.: Q. II).

 

 

Este aumento não acontece de igual forma nas duas instituições universitárias. Se observarmos os dados relativos à evolução do número de alunos inscritos, entre o ano letivo 2003/04 e 2010/2011, vemos que esta tendência se deve especialmente ao aumento expressivo desses alunos na Universidade Católica Portuguesa de Braga (cf.: Q. III).

 

 

Num inquérito aplicado aos alunos universitários dos PALOP a frequentar o 1º ano dos cursos das Faculdades de Filosofia e Ciências Sociais da UCP-Braga, no ano académico 2011-12[1], concluiu-se que do total dos inquiridos, 51% é do sexo feminino e 49% do masculino, com idades que oscilam entre os 18 e os 27 anos (M = 2.64, DP = 2.39).

Estes jovens são, na sua maioria, naturais de Cabo Verde (82%), distribuindo-se os demais por Angola e Guiné-Bissau (13% e 5%, respetivamente). A maioria diz estar em Portugal há cerca de um 1 ano (M = 1.39, DP =.68). Uma parte significativa destes universitários (cerca de 55%) refere estar a viver numa residência de estudantes, sendo que 36% vive em apartamentos com outros estudantes. Há uma percentagem menos expressiva que vive em casa de familiares ou em quartos alugados, 3% e 6%, respetivamente.

Quando questionados sobre a razão que os levou a estudar numa universidade portuguesa, a resposta é bem expressiva, na medida em que 67% refere que foi por ter acesso a uma melhor qualidade de ensino; 11% por no seu país não existir o curso que desejava; 6% porque era uma oportunidade para vir para Portugal e os restantes invocam outros motivos.

Em relação às formas de subsistência, nenhum dos inquiridos diz receber bolsa de estudo e é sobretudo com o apoio financeiro das suas famílias que consegue prosseguir os estudos (72%), sendo que 13% refere ser trabalhador-estudante. Para a maioria dos universitários (65%), o rendimento mensal de que dispõe para as suas despesas oscila entre os 250€ e os 500€ e uma percentagem mais reduzida (23%) refere que aquele varia entre 500€ e 750€.

A distância que separa estes universitários da sua terra natal é bem evidente, já que, entre as percentagens mais elevadas, estão os 44% dos jovens que referem que só pensam visitar o seu país e família no final do curso; 21% nas diferentes pausas letivas e 28% no final do ano letivo.

Questionados sobre o que pretendem fazer quando concluírem a licenciatura, estes universitários dividem-se nos seus projetos: um número expressivo, cerca de 64%, diz pretender continuar os seus estudos em Portugal, dos quais 28% pretende continuá-los na universidade em que se encontra atualmente matriculado e 36% pretende continuar os estudos numa outra universidade. Há um conjunto considerável de alunos, cerca de 31%, que diz pretender regressar ao seu país de origem após terminar a licenciatura e aí arranjar um emprego.

[1] DUQUE, Eduardo Jorge (2012). Representações e expetativas dos estudantes universitários dos PALOP. VII Congresso Português de Sociologia Sociedade, Crise e Reconfigurações. Porto: Universidade do Porto, 19 a 24 de Junho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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